Leandro Grass promete tarifa zero no transporte público do DF

Em entrevista, Leandro Grass reconhece erros de Agnelo Queiroz e promete tarifa zero, mudanças no Iges-DF, investimentos em educação, transporte, saúde e concursos públicos.

Leandro Grass promete tarifa zero no transporte público do DF

O candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT), foi entrevistado pelo DF2 na noite desta sexta-feira (16).

Na entrevista, Grass reconheceu erros da gestão de Agnelo Queiroz (PT), entre 2011 e 2014, prometeu implementar a tarifa zero no transporte público do Distrito Federal caso seja eleito e falou sobre a revisão do papel do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF).

A adversária de Grass no segundo turno, Celina Leão (PP), também foi entrevistada durante 20 minutos no DF2 de quinta-feira (15).

A votação do segundo turno será realizada em 25 de outubro. Na mesma data, eleitores de todo o país e do exterior também decidirão o segundo turno da eleição presidencial, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Este texto está sendo atualizado.

Resultado do primeiro turno

A entrevista começou com perguntas sobre os resultados das urnas no primeiro turno. Grass venceu na Asa Sul e na Asa Norte, enquanto Celina foi a mais votada nas outras 17 zonas eleitorais.

O candidato afirmou acreditar na virada e disse que a candidatura “não é mais uma campanha do PT ou da esquerda, é uma campanha do povo que quer mudança”.

Grass afirmou ainda que enfrenta um governo que utiliza a máquina pública para fins eleitorais. Ele também mencionou uma denúncia relacionada a um vídeo que usa inteligência artificial para simular a voz do candidato.

“Nós estamos lutando contra gigantes do poder econômico e do poder político aqui no DF, contra Vorcaro, contra Ibaneis e contra Gustavo Rocha”, declarou.

Educação

Questionado sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o desempenho da educação durante o governo de Agnelo Queiroz, Grass afirmou que o Distrito Federal piorou seus resultados, principalmente no ensino médio.

Segundo o candidato, apesar do aumento dos recursos disponíveis, o orçamento da educação é mal utilizado. Ele também criticou o que chamou de “ataque permanente à escola pública” e disse que os professores estão desmotivados.

“Educação no meu governo é prioridade. Cuidar da criança desde a creche com a escola integral em tempo integral, o ensino médio profissionalizante, o jovem sair da escola com um certificado para entrar no mercado de trabalho, ensino tecnológico, você ter uma escola equipada, você tem uma escola que tem robótica, inteligência artificial, que o jovem sai pronto para a vida em sociedade”, destacou Grass.

Transporte

Grass prometeu rever, caso seja eleito, os contratos das empresas de ônibus, que classificou como “problemáticos”.

Ele afirmou que pretende implementar um modelo de remuneração por quilômetro rodado. Segundo o candidato, a mudança possibilitaria a adoção da tarifa zero no transporte público.

“O ônibus vai ser de graça ao final de quatro anos. Nós vamos começar com alguns públicos, algumas linhas. E digo mais, não haverá também aumento de impostos no meu governo. Estão dizendo por aí que a gente aumenta o imposto, mas quem aumenta o imposto são eles. No meu governo vou zerar o imposto da cesta básica, assim como outros estados fizeram”, prometeu.

Questionado sobre o modelo atual, implementado durante o governo de Agnelo Queiroz, Grass afirmou que teria agido de forma diferente do colega de partido. Ele também criticou a falta de transparência nos contratos durante os governos de Ibaneis Rocha e Celina Leão.

“O tempo mudou, quase 15 anos desta licitação e o contrato não é fiscalizado hoje. A gente não sabe exatamente quanto as empresas estão gastando, porque ninguém vê a planilha, não tem transparência”, pontuou.

O candidato destacou o compromisso de melhorar as frotas e ampliar os horários de ônibus e do metrô. Grass afirmou ainda que “não vai ter rabo preso” com empresários do setor de transporte, em referência à sociedade de Celina com o dono da Urbi Mobilidade.

Saúde e Iges-DF

Questionado sobre as críticas ao Iges-DF e sobre declarações de que pretende extinguir o instituto, Grass afirmou que não planeja acabar imediatamente com a entidade. Segundo ele, essa medida poderia provocar a saída de cerca de 13 mil trabalhadores e agravar os problemas da saúde pública.

De acordo com o candidato, a proposta é manter os funcionários, mas retirar do instituto o que chamou de “comando da saúde”, concentrando essa função na Secretaria de Saúde.

Para Grass, o Iges-DF deve atuar como prestador de serviços, com autonomia para fazer contratações, mas sem concorrer com a Secretaria de Saúde na gestão do sistema.

O candidato também explicou como pretende manter o atendimento nos hospitais e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administrados pelo instituto em caso de mudança no modelo de gestão.

Grass afirmou que pretende manter o Iges-DF como prestador de serviços da Secretaria de Saúde, mas com maior fiscalização, principalmente nos processos de contratação.

Segundo o candidato, os profissionais que atuam diretamente no atendimento à população serão mantidos, enquanto a Secretaria de Saúde voltará a comandar as políticas da área. Ele disse ainda que pretende recompor o quadro da pasta por meio de concursos públicos e novas contratações.

Grass voltou a criticar o modelo atual do instituto, que classificou como um “monstro de corrupção e provocador de morte em fila”, e afirmou que pretende reorganizá-lo caso seja eleito.

Contratação de servidores

O candidato falou sobre propostas para reduzir o déficit de profissionais na saúde, na educação, na segurança e em outras áreas prioritárias.

Grass criticou o número de funcionários comissionados no setor público. Se eleito, prometeu substituir essas contratações por servidores selecionados por concurso público.

Questionado sobre os custos de manter o número de profissionais, ele afirmou que as despesas seriam mantidas. Ressaltou, porém, que o Distrito Federal teria “alguém que atende à população substituindo alguém que faz a campanha da governadora”.

Responsabilidade fiscal

Questionado sobre os reajustes concedidos a servidores durante o governo de Agnelo Queiroz, que não foram pagos integralmente naquela gestão, Grass reconheceu que pode ter faltado planejamento.

O candidato afirmou que, se eleito, pretende conceder reajustes com previsão orçamentária, planejamento e cronograma, começando pelas carreiras que, segundo ele, ficaram para trás.

Grass também foi questionado sobre a situação financeira deixada pelo governo Agnelo. Ele reconheceu que houve erros e afirmou que faltaram “planejamento e adequação” diante da situação econômica daquele período.

“Aquele momento foi um momento muito duro, houve queda de arrecadação federal e por isso impactou o Fundo Constitucional. Houve queda de arrecadação local e com tudo isso aquilo que foi planejado e não conseguiu ser plenamente executado”, disse Grass.

Segundo o candidato, caso seja eleito, ele pretende reorganizar os gastos, priorizar despesas e ampliar a arrecadação sem aumentar impostos.

Considerações finais

“Quero agradecer à TV Globo pela oportunidade e a você que está me assistindo. Eu quero falar bem francamente contigo. Compare as duas histórias, compare quem é quem, de onde vem o que fizeram. Eu não sou réu em processo nenhum, a minha adversária é ré em um processo de improbidade por desvio de emenda parlamentar na área da saúde. Eu não participei do governo Ibaneis nos últimos oito anos, ela sim. O governo que roubou o BRB, que quebrou a saúde.”

“Eu tenho um projeto para Brasília, e não é um projeto apenas do Leandro, é de todo mundo que quer o bem do Distrito Federal. Um plano para enfrentar a fila da saúde, um plano para implementar a escola integral, um plano para colocar o DF nos trilhos, colocar metrô, VLT, trem de superfície, melhorar o transporte. Eu vou concluir todas as obras que eles não concluíram. O metrô de Samambaia, vou concluir os hospitais, as UPAs. Vou concluir tudo aquilo que ficou para trás. Por isso, eu peço a sua confiança. Pesquise sobre mim, compare e veja quem é que tem a capacidade de governar e quem não tem porque não soube fazer antes.”

Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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