Fatores que marcaram a disputa pelo Governo do DF
Disputa pelo Governo do DF foi marcada pelo rompimento entre Celina Leão e Ibaneis, pela saída de Arruda e por debates sobre BRB, saúde e educação.
Após 45 dias de uma campanha curta e intensa, os eleitores do Distrito Federal foram às urnas neste domingo (2) para decidir, entre outros cargos, quem comandará o Palácio do Buriti pelos próximos quatro anos.
A disputa de 2026 foi marcada por uma divisão clara. De um lado, a atual governadora, Celina Leão (PP), líder nas pesquisas, tentou defender o legado da gestão e, ao mesmo tempo, se afastar das críticas e suspeitas relacionadas ao governo de Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice.
Do outro, candidatos de oposição apostaram no discurso de mudança para chegar ao Palácio do Buriti. Ao longo da campanha, eles evitaram ataques mútuos e concentraram as críticas na situação atual da capital.
O confronto envolveu temas como saúde, educação, segurança e mobilidade urbana. Também ganhou destaque a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e as negociações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, caso revelado pela Operação Compliance Zero desde novembro.
Veja, a seguir, os principais fatores que influenciaram a disputa eleitoral no Distrito Federal.
O fator Ibaneis
Desde o início da corrida eleitoral, Celina Leão apareceu à frente nas pesquisas de intenção de voto. A então governadora associou sua candidatura a ações e obras realizadas pela atual gestão e defendeu a continuidade do projeto político iniciado em 2019.
Os adversários argumentaram, por outro lado, que Celina não poderia reivindicar apenas os resultados positivos da administração. Segundo eles, ela também deveria responder pelos problemas apontados nas áreas de saúde, educação e segurança pública, além da crise enfrentada pelo BRB.
Em maio, Celina Leão e o então governador Ibaneis Rocha anunciaram o rompimento político. Até então aliados, os dois indicaram que seguiriam caminhos distintos na disputa eleitoral.
Ibaneis governou o Distrito Federal por dois mandatos, de 2019 a 2026. Em março deste ano, deixou o cargo para se candidatar ao Senado. Celina, que era sua vice, foi empossada como governadora.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Ibaneis afirmou que confiou em Celina para dar continuidade ao que havia “plantado”, mas disse ter tido “muitas decepções”.
Celina respondeu que herdou uma crise no Banco de Brasília e que precisou tomar “decisões que às vezes desagradam a muitos”. Também declarou que “sucessão nunca será submissão”.
Apesar do rompimento anunciado, Ibaneis não declarou apoio a outro candidato, e o MDB permaneceu na coligação e no apoio a Celina. O ex-governador desistiu da candidatura ao Senado enquanto a governadora alternava críticas e elogios ao antigo colega de governo.
O fator Arruda
Um dos principais fatos políticos da campanha foi a situação eleitoral do ex-governador José Roberto Arruda (PSD).
Arruda disputou a eleição sob questionamentos judiciais, mas teve o registro de candidatura barrado definitivamente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na reta final da campanha.
Ele tentava reverter uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), que havia definido, por unanimidade, que ele estava inelegível para o pleito.
Até então, o candidato do PSD aparecia em segundo lugar nas pesquisas e era apontado como um dos principais adversários da governadora.
Após a decisão que retirou Arruda da disputa, o PSD oficializou apoio a Celina Leão. Arruda, no entanto, recusou-se a seguir a decisão do partido e rejeitou publicamente o apoio: “Eles não terão o meu apoio”.
Os demais concorrentes também passaram a mirar o eleitorado do ex-governador. Nos últimos dias de campanha, intensificaram os acenos aos apoiadores de Arruda e defenderam propostas semelhantes às apresentadas por ele, numa tentativa de atrair os votos que ficaram sem candidato.
Até este sábado (3), véspera do primeiro turno, Arruda não havia anunciado apoio a nenhum candidato ao Governo do Distrito Federal.
Com a saída de Arruda da disputa, ganhou força a candidatura de Leandro Grass (PT), que consolidou a posição de principal nome da oposição.
O candidato petista criticou a gestão do GDF, especialmente nas áreas de saúde e educação, e prometeu ampliar a transparência na administração pública.
Ricardo Cappelli (PSB), interventor na segurança do Distrito Federal após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, concentrou seu discurso em críticas ao grupo político que governa o DF. Ele também apresentou propostas para reduzir as filas na saúde e ampliar os investimentos em serviços públicos.
A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) tentou se apresentar como uma alternativa ao governo e à polarização entre os principais concorrentes. Kiko Caputo (Novo) defendeu uma agenda liberal e a redução do tamanho do Estado.
O fator BRB
A crise do Banco de Brasília foi um dos assuntos mais presentes na campanha.
O tema apareceu em programas eleitorais, entrevistas e debates. Os candidatos cobraram explicações do governo sobre a situação financeira da instituição, as medidas adotadas para enfrentar o problema e o agravamento da crise.
Como o Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, os adversários cobraram explicações de Celina Leão sobre a condução do caso e os possíveis impactos para os cofres públicos.
Em diferentes momentos da campanha, candidatos afirmaram que o governo não havia sido transparente ao divulgar informações sobre a situação do banco e questionaram o uso de recursos públicos para socorrer a instituição.
Celina Leão afirmou que a recuperação do BRB dependia de medidas técnicas, e não de decisões políticas.
A governadora defendeu o acordo costurado com o sistema financeiro para reforçar o capital do banco e argumentou que as ações adotadas pelo GDF eram necessárias para evitar riscos à instituição. Ela também afirmou que o BRB tinha condições de superar a crise sem prejuízos para os correntistas.
O fator saúde pública
Ao longo da campanha, os candidatos usaram as filas para consultas, exames e cirurgias para criticar a gestão atual e apontar falhas no atendimento à população.
Também questionaram a situação dos hospitais públicos, a demora na realização de procedimentos e a administração da saúde no Distrito Federal.
A oposição argumentou que, apesar do aumento do orçamento da área nos últimos anos, a população continuava enfrentando dificuldades para acessar serviços especializados e obter atendimento em tempo adequado.
A governadora sustentou que a ampliação de serviços, a contratação de profissionais e a modernização das unidades de saúde faziam parte de um processo de melhoria do atendimento. Ela pediu a continuidade desses projetos.
O fator educação
A educação ganhou força na campanha, principalmente após a divulgação dos resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os números foram usados pelos candidatos para questionar a qualidade do ensino público e o desempenho da gestão da governadora.
Os concorrentes afirmaram que o Distrito Federal perdeu protagonismo nacional nos indicadores educacionais. Também apontaram problemas como a baixa oferta de escolas em tempo integral, o déficit de infraestrutura nas unidades de ensino, a falta de creches e o aumento da contratação de professores temporários.
A campanha da governadora, por sua vez, defendeu os investimentos realizados na rede pública e apresentou a educação como uma das áreas beneficiadas pelas ações da gestão nos últimos anos.
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