Fábio Felix é o deputado federal mais votado do DF em 2026

Fábio Felix foi o deputado federal mais votado do DF em 2026. No Congresso, defenderá direitos trabalhistas e LGBTQIA+, serviços públicos, tarifa zero e investigação do Banco Master.

Fábio Felix é o deputado federal mais votado do DF em 2026

Assistente social, professor e primeiro deputado assumidamente gay da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Fábio Felix (PSOL) foi o deputado federal mais votado do DF nas eleições de 2026, com 224.224 votos.

O número é mais de quatro vezes superior aos 51.792 votos recebidos por Felix em 2022, quando foi reeleito para a CLDF e se tornou o deputado distrital mais votado da história da capital.

Em entrevista ao g1, o parlamentar falou sobre a campanha e as perspectivas para os próximos quatro anos de mandato na Câmara dos Deputados.

Felix afirmou que pretende defender direitos trabalhistas e a população LGBTQIA+ no Congresso Nacional. Segundo ele, o avanço de parlamentares conservadores exigirá articulação e resistência a medidas que considera retrocessos.

“Não há negociação para flexibilização de direitos. Nesse caso, não há qualquer negociação”, afirmou.

Apesar de prever um Congresso mais voltado ao enfrentamento político, Felix disse que estará aberto ao diálogo em pautas nas quais houver espaço para mediação.

O deputado também afirmou que pretende trabalhar pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso do Banco Master. Para ele, a apuração é importante diante dos impactos sobre o Banco de Brasília (BRB).

O custo de vida é outra pauta que Felix pretende levar ao debate nacional. Entre as propostas citadas estão a criação de uma legislação federal para controlar aumentos abusivos nos aluguéis e a tarifa zero no transporte público.

Na avaliação do deputado, a campanha combinou mobilização nas ruas, atuação nas redes sociais e apresentação de propostas voltadas ao futuro.

Felix recebeu quase o dobro dos votos do segundo deputado federal mais votado no DF, Rafael Prudente (PL), que teve 119.427 votos. Alberto Fraga (PL) ficou em terceiro, com 118.579 votos.

Os deputados federais eleitos em 2026 tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandatos de quatro anos.

Ao falar sobre as pautas que aceita negociar, Felix afirmou que o Congresso será mais conservador, mas também terá renovação e novos parlamentares progressistas. Ele disse que pretende ajudar a organizar a resistência no Distrito Federal e no restante do país.

O deputado declarou que não aceitará negociações que envolvam a flexibilização das leis trabalhistas, o enfraquecimento de direitos previdenciários ou a retirada de direitos de servidores públicos e da comunidade LGBT. Segundo ele, integrantes do PL já defenderam essas medidas e, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Advocacia-Geral da União entrou no Supremo Tribunal Federal contra a criminalização da homotransfobia.

Sobre pautas mais abrangentes, Felix afirmou que estará disposto ao diálogo quando houver espaço para mediação, mas disse que pretende enfrentar propostas que possam representar retrocessos.

Em relação ao Banco Master, o parlamentar afirmou que a CPMI chegou perto de reunir as assinaturas necessárias para ser instalada, mas não avançou. Ele pretende lutar, a partir de 2027, pela criação da comissão, argumentando que o banco tem relações com várias instituições.

Felix afirmou ainda que o BRB foi a principal vítima do empresário Daniel Vorcaro no país e que teria ficado com um rombo superior a R$ 12 bilhões. Segundo ele, a população do Distrito Federal não deve pagar essa conta, e a investigação deve buscar a recuperação dos recursos para os bancos públicos do DF.

Para o mandato, o deputado disse que pretende priorizar a defesa dos servidores públicos e dos serviços públicos. Ele afirmou que se engajará contra uma eventual reforma administrativa que ataque a estabilidade dos servidores e seus direitos previdenciários, destacando que os serviços públicos atendem principalmente a população que mais precisa.

Felix também pretende reativar com força a frente parlamentar do Congresso Nacional em defesa dos direitos da população LGBT+. Casado, ele afirmou que o casamento igualitário é um direito conquistado a partir de decisão do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o deputado, mais de dez parlamentares comprometidos com a causa e integrantes da população LGBT estarão no Congresso. Ele classificou o grupo como a maior bancada LGBT em um Congresso Nacional de um país da América Latina.

Ao avaliar a campanha, Felix disse que ela teve “um pé na rua” e outro nas redes sociais, além de defender propostas para mudar o futuro da população. Entre os temas que receberam apoio, citou uma legislação federal para controlar aumentos abusivos dos aluguéis, o custo da moradia e a tarifa zero no transporte público.

O deputado afirmou que levou essas propostas para reuniões relacionadas à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Para ele, é necessário discutir o custo de vida, a gratuidade no transporte público e o controle dos reajustes abusivos dos aluguéis.

Felix disse que a mobilização nas ruas não se limitou a atos visuais ou distribuição de material, mas envolveu conversas e tentativas de convencer os eleitores. Ele também destacou o diálogo pelas redes sociais, com vídeos direcionados à câmera, interação nos comentários e escuta das demandas da população.

Segundo o deputado, as pessoas passam, em média, nove horas por dia diante de telas. Por isso, ele considera necessário estabelecer um diálogo direto nas redes, sempre associado a propostas de mudança e projetos para o futuro da maioria da população.

Na CLDF, Fábio Felix presidiu, a partir de 2019, a Comissão de Direitos Humanos. Durante o período em que esteve à frente do colegiado, foram recebidas mais de 8 mil denúncias.

Ele também participou das Comissões Parlamentares de Inquérito do Feminicídio e dos Atos Antidemocráticos, que investigou os ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Além disso, integrou a Comissão Especial da Vacina durante a pandemia de Covid-19.

Formado pela Universidade de Brasília (UnB), Felix trabalhou como assistente social na Rodoviária do Plano Piloto, onde atendia adolescentes em situação de rua. Depois, atuou no antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (CAJE), unidade de internação de menores do DF, onde denunciou torturas e violações de direitos de adolescentes que cumpriam medidas socioeducativas.

Felix também presidiu o Conselho Distrital dos Direitos da Criança e do Adolescente. Ele é professor, servidor do sistema socioeducativo e ativista da causa LGBTQIA+.

Em 2018, foi eleito o primeiro deputado distrital assumidamente gay da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em 2022, foi reeleito com 51.792 votos e se tornou o parlamentar mais votado da história de Brasília.

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