Começa julgamento de acusado de matar vizinho por vaga de estacionamento no DF
Começou o julgamento de Francisco Evaldo de Moura, acusado de matar a tiros o vizinho e tentar matar o filho dele após uma discussão por vaga de estacionamento, em Samambaia (DF).
Começou nesta quinta-feira (15) o julgamento de Francisco Evaldo de Moura, de 57 anos, acusado de matar a tiros o vizinho Adriano de Jesus Gomes, de 50 anos, em Samambaia, no Distrito Federal. O crime ocorreu em fevereiro do ano passado, durante uma discussão por causa de uma vaga de estacionamento.
Francisco responde por homicídio qualificado e tentativa de homicídio. Ele está preso. O julgamento começou às 9h30, no Tribunal do Júri de Samambaia.
Adriano morreu depois de ser atingido por pelo menos quatro disparos. Ele deixou a esposa, três filhos e netos.
Câmeras de segurança registraram o momento da briga. As imagens mostram Adriano e o filho, que tinha 20 anos à época, discutindo com Francisco, que usava uma blusa branca. O réu recuou até o portão de casa, sacou uma arma e atirou contra pai e filho, que correram.
O filho de Adriano conseguiu fugir e se esconder dentro de casa. Adriano foi atingido, não resistiu aos ferimentos e morreu. A mulher que aparece nas imagens não se feriu.
Segundo testemunhas, Adriano tinha uma empresa de transporte escolar e havia estacionado um ônibus na rua onde morava com o vizinho. Francisco não teria gostado da situação.
Julgamento
Gabriel Ferreira, filho de Adriano e vítima da tentativa de homicídio, foi a primeira testemunha ouvida. Depois, foram ouvidas as 18 testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa. Na sequência, ocorre o interrogatório do réu.
Foram selecionados 25 jurados para participar do julgamento, e sete foram sorteados para decidir o caso.
Família da vítima
Em entrevista à TV Globo, Elaine Ferreira Gomes, viúva de Adriano, afirmou que vive dias de angústia desde o crime.
“Tenho pesadelos com ele voltando na minha casa, tentando matar meu filho e minha família. Pesadelos com ele parando a gente no trânsito, armado. Então, foram dias muito angustiantes para mim até hoje. Acho que vou viver um bom tempo assim, infelizmente”, contou.
Gabriel lamentou ter perdido o pai por causa de uma vaga de estacionamento.
“O sentimento que eu tenho é que isso não pode acontecer mais com ninguém em Samambaia ou no DF. Então, a gente tem que deixar esse crime de exemplo para que não ocorra com outros. Só a gente sabe o que passa diariamente. Nenhuma família deve passar por isso”, disse.
Depoimento do réu
Francisco se entregou à polícia um dia depois do crime. Em depoimento, afirmou que a arma era de uso pessoal do filho, um cabo do Exército, e que estava guardada no guarda-roupa dele.
O réu alegou legítima defesa, mas a versão não foi aceita pelos investigadores. Francisco também contou que não era a primeira vez que ele e Adriano se desentendiam. Segundo ele, em outra ocasião, o vizinho havia derrubado o portão de sua casa ao dirigir uma van escolar.
Francisco afirmou que, no dia do crime, estacionou o carro ao lado da casa de Adriano e que o veículo ficou sujo com o óleo do escapamento da van. Ele disse que foi até a casa da vítima para avisar que deixaria o carro para que fosse lavado.
Como ninguém atendeu, Francisco relatou que voltou para casa, colocou a arma na cintura e ficou esperando Adriano chegar. Quando os vizinhos se encontraram, ele disse que avisou que deixaria o veículo para ser lavado. Ainda segundo o depoimento, Adriano teria se “transformado” e o intimidado “peito com peito”.
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