Câmeras registram suspeito chegando e fugindo após matar casal em Ceilândia
Câmeras e áudios ajudaram a polícia a prender dois suspeitos do duplo homicídio do cantor Alan Tons e da namorada, Larissa Rodrigues, em Ceilândia (DF).
Câmeras de segurança registraram a chegada e a fuga de Tancredo Pereira da Silva, suspeito de matar a tiros o cantor Alan Tons, de 26 anos, e a namorada dele, Larissa Rodrigues, de 23, em Ceilândia, no Distrito Federal.
O crime aconteceu na madrugada de domingo (11). No dia seguinte, João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, de 22 anos, foi preso pela Polícia Civil após se apresentar na delegacia e dar uma versão com contradições, segundo o delegado responsável pelo caso, Ataliba Neto.
Na quarta-feira (14), após novas diligências, Tancredo também foi preso, suspeito de participação no crime. A polícia investiga se João Victor ajudou a planejar os assassinatos ou facilitou a entrada do executor na casa das vítimas.
O que mostra o vídeo
As imagens mostram Tancredo desembarcando de um carro de aplicativo às 2h48 da madrugada de domingo. Em outra câmera, ele aparece caminhando em direção à quitinete onde o casal morava, na QNM 22 de Ceilândia. Menos de cinco minutos depois, às 2h51, uma terceira gravação registra o homem deixando o local correndo.
Outro elemento usado pela Polícia Civil para identificar Tancredo foi um áudio gravado pelo motorista de aplicativo que o levou até a região. Durante a corrida, o suspeito afirmou que iria matar um amigo por acreditar que ele havia dado em cima de sua namorada.
Segundo o motorista, Tancredo mostrou uma arma de fogo e dois carregadores dentro do carro. Depois de encerrar a corrida, o motorista começou a enviar áudios a um amigo e, em uma segunda gravação, captou os disparos. Ao ouvi-los, comentou: “Rapaz, acho que ele matou mesmo”.
A polícia cruzou o depoimento do motorista com imagens de câmeras de segurança, dados da corrida e registros do trajeto. De acordo com o delegado Ataliba Neto, as imagens mostram Tancredo se aproximando do imóvel, entrando no local e fugindo depois.
A Polícia Civil afirma que o motorista não teve envolvimento no crime. Ele demorou a procurar a polícia porque ficou com medo.
Suspeito negou participação
De acordo com a Polícia Civil, Tancredo negou participação no crime durante o interrogatório. Na casa dele, os investigadores não encontraram a arma que teria sido usada nos assassinatos, mas apreenderam roupas consideradas semelhantes às registradas pelas câmeras de segurança.
O material ainda será submetido a análise pericial. A prisão temporária de Tancredo tem duração de 30 dias e foi decretada para evitar que ele prejudique as investigações.
João Victor está preso desde domingo. Segundo a Polícia Civil, ele se tornou suspeito por causa do histórico de desavenças com o casal. A investigação aponta que João Victor passou a fazer ameaças de morte depois que Alan defendeu a companheira dele, que seria vítima de violência doméstica.
Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil relataram que, em setembro, João Victor teria ameaçado Alan de morte e chegado a entrar na residência dele portando uma arma de fogo.
Após as ameaças, segundo a polícia, Alan deixou o imóvel e passou a morar com familiares. Ele teria retornado depois de saber que João Victor havia sido despejado do local onde morava.
Uma testemunha relatou ao delegado que João Victor teria buscado uma arma com Tancredo durante uma discussão anterior com Alan. A investigação apura se essa foi a mesma arma utilizada no duplo homicídio.
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi o relato de que Tancredo teria dito ao motorista de aplicativo que estava com a chave da casa das vítimas. Para a polícia, João Victor pode ter fornecido a chave e ajudado a planejar o crime.
A participação exata de João Victor ainda não foi esclarecida. A Polícia Civil investiga se ele esteve na casa no momento dos assassinatos ou se ajudou no planejamento e facilitou a entrada do executor. Segundo o delegado, o álibi apresentado por João Victor não foi comprovado.
Para o delegado, os dois suspeitos tinham ciúmes e acreditavam que Alan dava em cima de suas respectivas companheiras. A mulher de Tancredo foi ouvida pela polícia e afirmou que Alan nunca deu em cima dela, mas disse que o marido demonstrava ciúmes quando bebia.
Os dois foram indiciados por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e pela impossibilidade de defesa das vítimas.
Vídeo registra disparos
Uma câmera de segurança registrou o momento dos disparos que mataram Alan e Larissa. Nas imagens, é possível ouvir 19 tiros disparados em sequência. Era por volta das 3h da manhã.
Os corpos do casal foram velados na terça-feira (13), no Cemitério de Taguatinga, no Distrito Federal.