'Acho que ele matou mesmo': motorista de aplicativo gravou áudio após deixar suspeito de matar casal no DF

Áudio de motorista registrou os 19 disparos que mataram um casal em Ceilândia. Dois suspeitos foram presos, e a polícia investiga execução motivada por ciúmes e vingança.

'Acho que ele matou mesmo': motorista de aplicativo gravou áudio após deixar suspeito de matar casal no DF

Um áudio gravado por um motorista de aplicativo registrou os disparos que mataram Alan Tons, de 26 anos, e Larissa Rodrigues, de 23, dentro da casa do casal, em Ceilândia, no Distrito Federal.

Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o motorista havia acabado de deixar Tancredo Pereira da Silva, de 41 anos, perto da residência das vítimas, na madrugada de domingo (11).

O caso teve uma reviravolta nesta quarta-feira (14), após a prisão de Tancredo. De acordo com a investigação, ele é suspeito de executar o casal. João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, de 22 anos, também está preso desde domingo.

O motorista contou à polícia que, durante a corrida, Tancredo afirmou que iria matar um amigo porque acreditava que ele havia dado em cima de sua namorada.

Ainda segundo o motorista, Tancredo mostrou uma arma de fogo e dois carregadores dentro do carro.

Depois de encerrar a corrida, o motorista começou a enviar áudios a um amigo. Em uma segunda gravação, ele registrou os disparos. Ao ouvir os tiros, comentou: “Rapaz, acho que ele matou mesmo”.

A polícia cruzou o depoimento do motorista com imagens de câmeras de segurança, dados da corrida e registros do trajeto. Segundo o delegado responsável pelo caso, Ataliba Neto, as imagens mostram Tancredo se aproximando do imóvel, entrando na casa e fugindo depois.

Tancredo negou participação no crime durante o interrogatório, de acordo com a Polícia Civil. Na casa dele, os investigadores não encontraram a arma que teria sido usada nos assassinatos, mas apreenderam roupas consideradas semelhantes às usadas pelo homem registrado nas imagens.

O material ainda será submetido a análise pericial. A Justiça decretou a prisão temporária de Tancredo por 30 dias, para auxiliar nas investigações.

João Victor está preso desde domingo e passou a ser considerado suspeito por causa do histórico de desavenças com o casal, segundo a Polícia Civil.

As ameaças de morte teriam começado depois que Alan defendeu a companheira de João Victor em um episódio de violência doméstica. Testemunhas relataram à polícia que, em setembro, João Victor teria ameaçado Alan de morte e chegado a entrar na residência dele portando uma arma de fogo.

Após as ameaças, Alan deixou o imóvel e passou a morar com familiares. Ele teria retornado depois de saber que João Victor havia sido despejado do local onde morava.

Segundo o delegado, uma testemunha afirmou que João Victor teria buscado uma arma com Tancredo durante uma discussão anterior com Alan. A investigação apura se essa foi a mesma arma utilizada no duplo homicídio.

Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi o relato de que Tancredo teria dito ao motorista de aplicativo que estava com a chave da casa das vítimas. Para a polícia, João Victor pode ter fornecido a chave e ajudado a planejar o crime.

A participação exata de João Victor ainda não foi esclarecida. A Polícia Civil investiga se ele esteve na casa no momento dos assassinatos ou se ajudou no planejamento e facilitou a entrada do executor.

De acordo com o delegado, o álibi apresentado por João Victor não foi comprovado.

Para a polícia, os dois suspeitos tinham ciúmes e acreditavam que Alan dava em cima de suas respectivas companheiras. A mulher de Tancredo foi ouvida e afirmou que Alan nunca deu em cima dela, mas disse que o marido demonstrava ciúmes quando bebia.

A Polícia Civil informou que os dois foram indiciados por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e pela impossibilidade de defesa das vítimas.

Uma câmera de segurança registrou o momento dos disparos que mataram Alan e Larissa. Nas imagens, é possível ouvir 19 tiros em sequência, por volta das 3h da manhã.

Os corpos do casal foram velados na terça-feira (13), no Cemitério de Taguatinga, no Distrito Federal.

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