Cinco candidatos ao governo do DF participam de debate eleitoral
Cinco candidatos ao governo do DF participaram de debate na TV Record Brasília e apresentaram propostas para saúde, segurança, educação, transporte, economia e outras áreas.
Candidatos ao governo do Distrito Federal participaram nesta segunda-feira (21) do quinto debate eleitoral da disputa de 2026. O encontro foi promovido pela TV Record Brasília.
O evento reuniu cinco dos seis candidatos ao Palácio do Buriti: José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB).
Em nota à emissora, a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), disse que não participaria do debate “em função de suas atividades no cargo”.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Se houver segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro.
O debate foi dividido em quatro blocos. No primeiro, os candidatos fizeram perguntas entre si, com temas livres. No segundo, responderam a perguntas de jornalistas. No terceiro, responderam a perguntas de telespectadores. No quarto e último bloco, cada participante teve um minuto para fazer suas considerações finais.
Primeiro bloco
O primeiro tema sorteado foi saúde. Ricardo Cappelli perguntou a Paula Belmonte quais eram as propostas dela para a área no Distrito Federal.
“Nós vamos mudar a realidade da saúde do DF. Fortalecer as UBSs, contratar médico, contratar ACS [agentes comunitários], contratar enfermeiro. Nós precisamos trazer a dignidade para as pessoas. As pessoas estão com medo de adoecer e, no governo Paulo Belmonte, isso não vai acontecer”, respondeu a candidata.
Na réplica, Cappelli afirmou que pretende zerar todas as filas dos hospitais do DF.
A segunda pergunta foi feita por Arruda a Cappelli e tratou da regularização fundiária no Distrito Federal. Cappelli respondeu que pretende criar uma Secretaria Especial de Regularização Fundiária e entregar escrituras a todos que já moram em lotes ainda não regularizados.
Na réplica, Arruda disse que vai regularizar todas essas áreas e citou moradores de Ponte Alta, Arniqueira e Vicente Pires.
Na sequência, Paula Belmonte foi sorteada para questionar Kiko Caputo. Ela perguntou quais seriam as políticas públicas voltadas às mulheres previstas no plano de governo do candidato.
Caputo respondeu que é preciso qualificar e educar as meninas desde a infância para que tenham independência financeira. Também defendeu que os meninos sejam educados desde cedo a respeitar as mulheres.
A pergunta seguinte foi feita por Kiko Caputo a José Roberto Arruda e tratou do combate à corrupção. Arruda respondeu que pretende ampliar a transparência por meio de ferramentas digitais. “Vou botar o governo no celular de todo mundo. Todo mundo vai poder avaliar seu governante”, afirmou.
Em seguida, Cappelli perguntou a Leandro Grass sobre a falta e a demora no transporte público do DF. Grass respondeu que sua principal proposta é ampliar as linhas e os horários dos ônibus na capital.
A última pergunta do bloco foi feita por Leandro Grass a José Roberto Arruda e tratou do aumento da insegurança alimentar na capital. Arruda afirmou que, se eleito, pretende retomar o programa de distribuição de cestas básicas criado em seu primeiro governo no DF, além de outros programas sociais daquela época.
Segundo bloco
No segundo bloco, jornalistas fizeram seis perguntas aos candidatos. Também foram sorteados, ao vivo, candidatos para comentar as respostas dos adversários.
Questionado sobre a lei federal que pode impactar o reajuste do Fundo Constitucional do DF, Leandro Grass disse que sempre defendeu o fundo.
“Essa lei que foi aprovada no Congresso não fala especificamente do Fundo Constitucional. Ela trata de uma forma de correção especificamente dos tributos, dos impostos do petróleo e, de forma geral, impacta a chamada receita corrente líquida e as despesas obrigatórias, incluindo os fundos. Pois bem, nesse caso, a gente ainda tem etapas que podem servir para a correção de um eventual impacto no Fundo Constitucional”, respondeu.
Em seguida, Paula Belmonte foi questionada sobre a proposta de aumentar a presença de mulheres no comando das secretarias. Ela defendeu que as mulheres “podem chegar onde quiserem” em seu gabinete e citou casos de assédio moral na Câmara Legislativa.
“Que nós possamos fazer e trazer oportunidade para cada mulher, acabar com o assédio moral na Câmara Legislativa. Nós tivemos várias denúncias de assédio moral e as mulheres às vezes ficam quietas porque precisam do seu salário. Então é preciso colocar mulher para olhar para outra mulher”, disse.
Arruda foi questionado sobre o recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF que rejeitou o registro de sua candidatura.
Arruda respondeu que tem “absoluta convicção” de que sua candidatura foi registrada de acordo com a lei.
Depois, Cappelli foi questionado sobre a estratégia de buscar votos entre eleitores de centro e conservadores, após ter construído sua carreira em partidos de esquerda. Ele respondeu que, quando um cidadão precisa de atendimento, “não quer saber se o médico é de esquerda ou de direita, ele quer o médico”.
“Eu sou candidato pela primeira vez para resolver os problemas reais da população. Eu só te peço uma chance. Eu não quero ficar nessa briga, nessa polarização que não resolve nada na sua vida”, afirmou.
Por fim, Kiko Caputo foi questionado sobre quanto pretende economizar com a redução da máquina pública e quanto custarão as promessas de seu plano de governo caso seja eleito.
“O governo precisa ter oposição, precisa ter fiscalização, não dá para ficar comprando deputado da Câmara Distrital em prejuízo da população e da gestão pública. A energia do choque de gestão que nós vamos fazer é o servidor público. Nós vamos qualificar a administração pública”, respondeu.
Terceiro bloco
A primeira pergunta de um telespectador foi dirigida a Paula Belmonte e tratou de educação. A candidata respondeu que defende a educação integral e a oferta de boa alimentação nas escolas.
Arruda comentou o tema e disse que pretende aumentar os salários dos professores e dos funcionários das escolas públicas do DF.
A segunda pergunta do bloco tratou do uso de tecnologia em políticas públicas e do apoio a empresários do DF. Kiko Caputo respondeu que pretende investir na capacitação de mão de obra, começando pela educação no ensino médio.
Leandro Grass comentou que quer transformar o DF em referência nacional em tecnologia, estimulando empresas de tecnologia da informação e de inteligência artificial a se instalarem em Brasília.
A terceira pergunta tratou de medidas para os produtores rurais do DF. Ricardo Cappelli respondeu que pretende valorizar o produtor rural e aproveitar a agricultura familiar para abastecer escolas e hospitais da capital.
Kiko Caputo afirmou que a primeira providência deve ser cuidar da regularização fundiária. “A gente precisa da segurança jurídica para que essas famílias continuem a produzir. Nós precisamos cuidar da segurança pública nas áreas rurais do Distrito Federal”, disse.
O tema seguinte foi lazer, e Leandro Grass foi sorteado para responder à pergunta de um telespectador.
A espectadora perguntou qual era a proposta do candidato para melhorar a cultura, o lazer e o esporte nas regiões administrativas.
Leandro Grass prometeu equipar todos os parques do DF e destacou a importância de garantir a prática esportiva nas escolas. Também ressaltou a relevância da cultura. “Sem dúvida alguma, nós faremos uma grande revolução na política cultural. Eu fui gestor da cultura federal. Eu sei que a cultura é renda, é trabalho, a cultura gera oportunidade”, afirmou.
Cappelli comentou que, em seu governo, as regiões administrativas serão valorizadas. “Os parques das cidades vão ter a mesma qualidade dos parques das áreas nobres do Distrito Federal”, disse.
No tema economia, uma telespectadora perguntou quais medidas os candidatos pretendem adotar para apoiar os microempreendedores.
Sorteado para responder, Arruda defendeu a ampliação das linhas de crédito, com juros mais baixos, para pequenos e médios empresários. Ele também criticou benefícios fiscais concedidos a grandes atacadistas e afirmou que pretende reforçar a segurança em áreas comerciais, com mais policiamento, câmeras de monitoramento e identificação facial.
Ao comentar a resposta, Paula Belmonte disse ser filha de comerciantes e afirmou conhecer as dificuldades enfrentadas pela categoria. A candidata defendeu ações para ampliar a segurança pública e citou o alto custo dos aluguéis e da energia elétrica como desafios para os pequenos empresários.
Considerações finais
Os candidatos tiveram um minuto cada para fazer suas considerações finais. Os cinco usaram o tempo para defender os próprios currículos e repetir promessas de governo.