Celina Leão minimiza responsabilidade como vice e descarta quebra do BRB
Em sabatina, Celina Leão defende ações nas áreas de saúde, segurança, educação e transporte, minimiza sua responsabilidade como vice-governadora e nega risco de quebra do BRB.
Celina Leão (PP), candidata ao governo do Distrito Federal, foi entrevistada pelo DF1 na manhã desta terça-feira (15). Durante a sabatina, ela minimizou sua responsabilidade como vice-governadora, descartou a possibilidade de quebra do Banco de Brasília (BRB) e respondeu a perguntas sobre saúde, educação, segurança, assistência social e transporte público.
Os entrevistados são os candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Datafolha na sexta-feira (11). Leandro Grass (PT) foi entrevistado na segunda-feira (14). As próximas entrevistas serão com Paula Belmonte (PSDB), na quarta-feira (16), e Arruda (PSD), na quinta-feira (17).
Questionada sobre o que a qualificaria para um novo mandato, Celina afirmou que sua principal característica é “encarar os problemas de frente”. Ela citou a abertura das filas da saúde para acompanhamento da imprensa, a contratação de serviços privados e a priorização do orçamento público.
A candidata também lembrou que cancelou, neste ano, o aniversário de Brasília para destinar recursos à contratação de médicos. Segundo ela, foram priorizados o pagamento de 20 mil cirurgias, a realização de 200 mil consultas e a construção de sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), cinco das quais, afirmou, serão entregues ainda neste ano. Celina disse que as novas unidades poderão atender 700 mil pessoas a mais.
Sobre as contratações temporárias, Celina foi lembrada de que, quando era deputada distrital, em 2014, era contrária à medida para profissionais de saúde. Ela afirmou que continua criticando esse tipo de contratação, mas disse que concursos temporários são mais rápidos e necessários diante das restrições do período eleitoral. Segundo a candidata, o planejamento do governo prevê concursos para servidores efetivos em todas as áreas.
Celina afirmou que, em algumas especialidades, há dificuldade até mesmo para preencher vagas efetivas. Ela citou um concurso para anestesistas no qual apenas um profissional se apresentou. De acordo com a candidata, dos 114 médicos aprovados em concurso para a atenção básica, somente 34 tomaram posse.
Na avaliação de Celina, a carreira pública precisa ser reestruturada para se tornar mais atrativa. Ela disse que, como assumiria um eventual novo governo em quatro meses, não poderia conceder reajuste salarial imediatamente, mas teria de alterar a estrutura remuneratória para aproximar os valores dos praticados pelo mercado.
A candidata foi questionada sobre a falta de entrega de hospitais prometidos em 2022, quando Ibaneis Rocha era governador e ela ocupava o cargo de vice-governadora. Celina disse que não pode ser responsabilizada pela gestão do ex-governador e afirmou que, embora tivesse autonomia para representá-lo, não podia definir as prioridades da administração.
Celina declarou que pretende levar ao Tribunal de Contas os contratos relacionados às obras. Sobre as UPAs, afirmou que algumas estão entre 60% e 70% de execução e que tem visitado os locais diariamente.
A candidata também disse que o sistema de regulação do Distrito Federal “não funciona” e que solicitou um novo sistema ao Ministério Público do DF. Segundo ela, quase 30% dos pacientes não comparecem às cirurgias eletivas custeadas pela rede privada.
Em relação aos salários dos médicos, Celina afirmou que é possível priorizar o aumento dos valores dentro do orçamento. Ela também defendeu vincular a remuneração à produtividade, com a possibilidade de que o desempenho seja incorporado à aposentadoria após dez anos.
Sobre o BRB, Celina afirmou que, enquanto era vice-governadora, exercia principalmente funções de representação política e cumprimento de agendas. Ela disse que discordava, desde o início, da ideia de nacionalizar o banco, por considerar que o BRB é uma instituição regional que deveria se concentrar em sua finalidade.
Segundo a candidata, o banco entrou em uma disputa de mercado para a qual não tinha porte. Ela afirmou que o prejuízo não foi de R$ 30 bilhões, mas de R$ 21 bilhões referentes à compra de títulos do Banco Master. Até o momento mencionado na entrevista, R$ 3 bilhões haviam sido considerados títulos fraudulentos.
Celina afirmou que não há risco de o BRB quebrar. Ela disse que o governo tenta obter um empréstimo de bancos privados e que sua administração enfrentou o problema diretamente. Também declarou ter adotado medidas para equilibrar as contas públicas, incluindo três decretos consecutivos de redução de custos.
A candidata explicou que, ao buscar o Judiciário, pediu autorização para um aval, e não um empréstimo. Segundo ela, o aval é uma garantia e, em caso de pagamento, a responsabilidade seria do próprio Estado, sem retirada de recursos da União.
Celina afirmou ainda que nunca desconfiou de irregularidades no caso envolvendo o BRB e o Banco Master enquanto era vice-governadora. Disse que foi surpreendida quando Paulo Henrique foi afastado e reiterou que era contrária à compra do Master e desconhecia a aquisição de ativos.
Ela afirmou que assumiu o governo algumas vezes durante a ausência de Ibaneis, mas não tinha autonomia para trocar secretários nem para interferir na gestão de Paulo Henrique. Segundo Celina, ele já não faria parte de um eventual governo dela antes mesmo de o caso vir à tona.
Durante a entrevista, Celina também foi questionada sobre a Operação Dracon, deflagrada em 2016. A investigação resultou em denúncias contra parlamentares do Distrito Federal e apontou um suposto esquema de pagamento de propina em troca da liberação de R$ 30 milhões em emendas parlamentares destinadas a contratos da UTI do Hospital Regional de Santa Maria.
Embora tenha sido absolvida na esfera penal da acusação de corrupção passiva, Celina ainda responde a uma ação de improbidade administrativa relacionada ao caso. Questionada sobre a pertinência ética de continuar governando o DF, afirmou estar “muito tranquila” e disse que sua vida pública está “muito limpa”.
Na área da educação, Celina foi questionada sobre o desempenho do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Ela afirmou que o resultado foi influenciado por diferentes critérios adotados pelos estados e citou a reprovação como um dos fatores que impactam o indicador.
A candidata disse ter certeza de que a estrutura e os profissionais da educação do DF são melhores que os do Piauí e de estados mais bem colocados no Ideb. Ela afirmou que a Secretaria de Educação estava sob responsabilidade do MDB e citou as ex-secretárias Hélvia Paranaguá e Iêdes Braga, que foi exonerada após a divulgação dos resultados. Dias antes, Braga havia dado entrevista à Globo e atribuído “nota 8” à educação do DF.
Celina reconheceu que o DF teve desempenho ruim no Ideb, mas defendeu os profissionais da rede e afirmou que 2.681 temporários foram substituídos por professores efetivos. Segundo ela, medidas para melhorar os resultados já estão sendo adotadas pelo novo secretário, Thiago Peixoto.
Na segurança pública, a candidata foi questionada sobre o aumento dos feminicídios, da violência psicológica e dos descumprimentos de medidas protetivas no Distrito Federal, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Celina afirmou que o Distrito Federal é uma das unidades mais seguras do país para as mulheres. Ela citou políticas como o aplicativo Viva Flor, o auxílio-aluguel para mulheres em situação de violência e programas de qualificação profissional.
A candidata também defendeu o incentivo às denúncias e a atuação conjunta da sociedade no combate ao feminicídio. Segundo ela, em muitos casos as vítimas não haviam registrado ocorrência antes dos crimes. Celina afirmou que o feminicídio é um crime de gênero que muitas vezes ocorre dentro de casa.
Sobre o déficit de policiais e bombeiros, apontado como uma das principais reclamações da população, Celina disse que pretende ampliar as contratações. Segundo ela, já existe previsão orçamentária para convocar novos policiais civis, militares e penais, além de bombeiros militares.
Na área da assistência social, a candidata afirmou que o Distrito Federal tem mais de 3,5 mil pessoas em situação de rua, segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF. Ela disse ter sido a primeira governadora a enfrentar o tema por meio da internação involuntária humanizada.
Celina afirmou que a lei permitiu retirar pessoas das ruas mesmo contra a vontade delas, com oferta de assistência social. Segundo a candidata, havia 450 pontos ocupados e mais de 410 já foram desobstruídos. Ela também citou programas como DF sem Miséria, Vale Gás, Cartão Material Escolar, Cartão Uniforme, Cartão Prato Cheio e a oferta de três refeições nos restaurantes comunitários.
Na área de transporte, Celina foi questionada sobre a promessa de ampliar a gratuidade do transporte público para todos os dias da semana. A pergunta ocorreu em meio às dificuldades enfrentadas pelo Distrito Federal para manter o programa aos domingos.
Segundo a candidata, a ampliação poderia ser feita sem custos adicionais. Ela afirmou que pretende realizar uma auditoria e reequilibrar os contratos do sistema. Celina declarou que os quase R$ 2 milhões investidos atualmente no transporte poderiam viabilizar um sistema coletivo gratuito.
Celina também falou sobre a expansão do metrô. Relatórios da Câmara Legislativa apontam que o sistema não renova a frota há quase 30 anos. A candidata afirmou que abriu uma licitação para a compra de 15 novos vagões, mas o processo foi barrado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal.
Ela disse que a realização da licitação demonstra uma iniciativa concreta para renovar os trens e explicou que o governo não pode interferir no Tribunal de Contas, mas deve responder às diligências feitas pelo órgão.
Nas considerações finais, Celina agradeceu o apoio recebido nas ruas, especialmente de mulheres, e disse acreditar que dias melhores estão acontecendo e poderão se renovar em 2026. Ela também mencionou a mãe, que está internada, e afirmou que, nos cinco meses de mandato, mostrou parte do que poderia fazer em quatro anos.
A candidata pediu votos, afirmou ter quatro mandatos no Distrito Federal e informou que seu número de campanha é 11.