Candidatos ao Governo do DF debatem propostas sem Celina Leão

Cinco candidatos debateram propostas para o Distrito Federal, criticaram a gestão atual e lamentaram a ausência da governadora Celina Leão, que concorre à reeleição.

Candidatos ao Governo do DF debatem propostas sem Celina Leão

Os candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram, na terça-feira (8), no terceiro debate eleitoral da disputa de 2026. O encontro foi promovido pela rádio TMC.

A governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, não participou. Segundo a emissora, a sua assessoria informou que decidiu não comparecer por ter sido «fortemente criticada pelos adversários em encontros anteriores».

O debate reuniu cinco dos seis candidatos ao Palácio do Buriti: José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB).

Apesar de o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ter negado o registo da candidatura de Arruda ao Governo do Distrito Federal, o político recorreu para uma instância superior e, por isso, participou normalmente no debate.

O primeiro turno das eleições será realizado a 4 de outubro. Se houver segunda volta, esta terá lugar a 25 de outubro.

O encontro foi dividido em cinco blocos: no primeiro, os candidatos fizeram perguntas entre si sobre temas sorteados; no segundo, fizeram perguntas sobre temas livres; no terceiro, responderam a questões de jornalistas da TMC; no quarto, responderam a perguntas de cidadãos; e, no quinto e último, tiveram um minuto para as considerações finais.

Primeiro bloco

O primeiro bloco foi marcado sobretudo por críticas à ausência de Celina Leão e à actual gestão do Distrito Federal nas áreas da educação, saúde, transportes públicos e segurança.

O primeiro tema sorteado foi a relação com o Governo Federal. Ricardo Cappelli escolheu José Roberto Arruda para responder. Arruda defendeu o diálogo institucional, independentemente das diferenças políticas e ideológicas, e criticou a gestão do Distrito Federal. Segundo afirmou, problemas como a crise que envolve o Banco de Brasília (BRB) seriam mais fáceis de resolver através de uma relação construtiva entre o Governo do Distrito Federal e a União.

Paula Belmonte questionou Leandro Grass sobre a economia e as políticas de microcrédito. Grass defendeu a criação de uma agência de fomento para ampliar o acesso de pequenos empresários, comerciantes e produtores ao crédito.

De seguida, Leandro Grass questionou Paula Belmonte sobre os transportes públicos. Ambos criticaram o sistema do Distrito Federal e defenderam a expansão do metro. Grass prometeu também alargar os horários de funcionamento dos transportes e implementar a tarifa zero.

Kiko Caputo perguntou a Ricardo Cappelli sobre a saúde pública. Cappelli criticou a gestão da saúde no Distrito Federal e prometeu, se for eleito, realizar uma auditoria ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), contratar profissionais e eliminar as listas de espera através do programa «Fila Zero».

Para encerrar o bloco, Arruda perguntou a Kiko Caputo sobre a segurança pública. Os dois defenderam mais investimento em tecnologia e a valorização das forças de segurança.

Segundo bloco

No segundo bloco, em que os candidatos puderam escolher livremente os temas das perguntas, foram discutidas questões como corrupção, transportes, saúde e administração das cidades do Distrito Federal.

Paula Belmonte abriu o bloco ao questionar José Roberto Arruda sobre a forma como administraria o orçamento do Distrito Federal perante a crise financeira. Arruda prometeu cortar despesas, reduzir o número de secretarias e de cargos de confiança e criticou os gastos da actual administração.

Ricardo Cappelli questionou Paula Belmonte sobre transportes e mobilidade. A candidata defendeu uma auditoria às empresas de autocarros, a expansão do metro e a criação de uma aplicação do Governo do Distrito Federal para motoristas de transporte individual de passageiros.

Cappelli afirmou que também pretende criar uma aplicação própria e prometeu isentar do IPVA os motoristas de transporte individual de passageiros e os estafetas.

De seguida, Arruda perguntou a Cappelli sobre a saúde pública. Ambos criticaram a situação da rede pública e defenderam auditorias e mudanças na gestão.

Leandro Grass questionou Kiko Caputo sobre a distribuição política das administrações regionais. Kiko criticou a indicação de administradores por parlamentares e defendeu a adopção de critérios técnicos para o preenchimento dos cargos.

No último confronto do bloco, Kiko perguntou a Grass se a governadora Celina Leão estaria comprometida com o combate à corrupção. Grass criticou a actual gestão e afirmou que pretende reforçar os mecanismos de transparência e controlo.

No final do bloco, os candidatos receberam um minuto adicional para compensar um erro da organização, que tinha concedido tempo extra a Arruda durante uma das interacções. O tempo foi utilizado para novas críticas à ausência de Celina Leão e à actual gestão do Distrito Federal.

Terceiro bloco

No terceiro bloco, os candidatos responderam a perguntas de jornalistas da TMC. José Roberto Arruda foi questionado sobre as razões que o levaram a voltar a candidatar-se ao Governo do Distrito Federal e sobre as mudanças que pretendia oferecer à população.

O candidato prometeu ampliar o metro, construir hospitais e melhorar a educação pública. Arruda afirmou que quer «devolver» a Brasília uma educação pública de qualidade e prometeu construir quatro novas linhas de metro e cinco hospitais.

Kiko Caputo foi questionado sobre as mais de 170 promessas previstas no seu programa de Governo e sobre qual seria a primeira mudança sentida pela população caso fosse eleito.

O candidato afirmou ter «o melhor plano de Governo já feito no Distrito Federal» e disse que pretende promover um «choque de honestidade» na administração pública. Também afirmou que a saúde seria a sua prioridade e prometeu construir quatro novos hospitais e concluir o Hospital do Cancro.

Paula Belmonte respondeu a uma pergunta sobre a auditoria que pretende realizar à saúde pública e ao Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal.

A candidata afirmou que, caso sejam encontradas irregularidades, fará mudanças na gestão dos hospitais. Prometeu ainda transferir para a Secretaria de Saúde o Hospital de Base, o Hospital de Santa Maria e o Hospital do Pôr do Sol, actualmente sob gestão do Iges.

Leandro Grass foi questionado sobre a meta do seu programa de Governo que considera prioritária até 2030. O candidato respondeu que a sua principal proposta é reduzir as listas de espera da saúde pública. Grass prometeu ainda aumentar a oferta de creches, regularizar áreas do Distrito Federal e construir habitação social.

Ricardo Cappelli respondeu sobre a promessa de eliminar as listas de espera para consultas, exames e cirurgias no Distrito Federal e foi questionado sobre os custos e a viabilidade da proposta.

O candidato afirmou que pretende intervir na gestão da saúde e disse que o orçamento actual seria suficiente para melhorar o atendimento. Cappelli prometeu combater o que classificou como desperdícios e nomeações políticas e voltou a afirmar que eliminará as listas de espera.

Quarto bloco

No quarto bloco, os candidatos responderam a perguntas de moradores do Distrito Federal sobre problemas enfrentados em diferentes regiões administrativas.

José Roberto Arruda respondeu a um morador do Varjão sobre a precariedade da saúde pública. O candidato prometeu contratar 3 mil médicos e alargar o horário de funcionamento das unidades básicas de saúde.

Kiko Caputo foi questionado por um morador de Taguatinga sobre a presença de polícias nas instituições. Defendeu o aumento do efectivo das forças de segurança e o recurso à tecnologia no combate ao crime. Disse ainda que pretende reforçar a presença do Estado nas ruas através de câmaras de videovigilância.

Ricardo Cappelli respondeu a uma moradora do Paranoá sobre a educação a tempo inteiro. O candidato criticou a baixa oferta de vagas nesta modalidade e prometeu aumentá-la dos actuais 7% para, pelo menos, 35%. Prometeu também realizar um concurso para monitores que acompanhem alunos com deficiência.

Leandro Grass respondeu a uma moradora do Sol Nascente sobre a falta de iluminação pública na região. O candidato prometeu instalar iluminação LED e aumentar o investimento em infra-estruturas e serviços públicos.

No encerramento do bloco, Paula Belmonte respondeu a uma moradora do Guará, que questionou a falta de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na região. A candidata mencionou o hospital ortopédico previsto para a cidade e aproveitou a resposta para abordar também a saúde mental e a violência contra as mulheres.

Quinto bloco

No quinto e último bloco, os cinco candidatos presentes tiveram um minuto para fazer as suas considerações finais.

José Roberto Arruda enumerou obras realizadas durante o seu Governo e apresentou promessas para um eventual novo mandato, como a construção de cinco hospitais, quatro novas linhas de metro e a retoma das escolas de educação a tempo inteiro. Criticou também obras da actual administração que, segundo afirmou, estão a demorar a ser concluídas e voltou a atacar a ausência de Celina Leão no debate.

Ricardo Cappelli destacou a sua experiência na administração pública e a actuação como interventor federal na segurança pública do Distrito Federal após os ataques de 8 de Janeiro. Afirmou ainda que não faz parte da «panelinha política apodrecida do Distrito Federal» e, ao pedir votos, defendeu uma mudança na política local.

Kiko Caputo falou sobre a relação com Brasília. O candidato afirmou que pretende recuperar a qualidade da saúde, da educação e dos transportes públicos e «resgatar a capital da esperança».

Leandro Grass também lamentou a ausência de Celina Leão e afirmou que seria difícil «defender o indefensável» ao citar a crise nos transportes, os problemas na saúde e o caso que envolve o BRB. Grass convidou os eleitores a conhecerem o seu programa de Governo e reforçou o apoio do presidente Lula.

Por fim, Paula Belmonte destacou a defesa da «honestidade», da «boa gestão» e do «combate à corrupção». Disse não ter medo de debates ou perguntas e afirmou acreditar na escola pública, no Sistema Único de Saúde (SUS) e na possibilidade de Brasília voltar a ser uma referência em políticas públicas para o país.

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