Candidatos ao governo do DF apresentam propostas para saúde e educação

Candidatos ao Governo do DF foram entrevistados pela TV Globo e apresentaram propostas para melhorar a saúde pública, a educação, a gestão e a infraestrutura do Distrito Federal.

Candidatos ao governo do DF apresentam propostas para saúde e educação

Nesta semana, a TV Globo entrevistou os quatro candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto para o Governo do Distrito Federal, divulgada pelo Datafolha na sexta-feira (11). Entre segunda-feira (14) e quinta-feira (17), Leandro Grass (PT), Celina Leão (PP), Paula Belmonte (PSDB) e José Roberto Arruda (PSD) participaram ao vivo do DF1 e responderam a perguntas sobre temas de interesse dos eleitores, como saúde e educação.

Confira, em ordem alfabética, trechos das entrevistas.

Saúde

Celina Leão (PP)

Celina Leão afirmou que cancelou, neste ano, a comemoração do aniversário de Brasília para destinar recursos à contratação de médicos.

“Isso foi uma decisão que, num primeiro momento, foi um choque para todo mundo, mas eu tenho certeza de que foi a decisão acertada. Depois disso, nós priorizamos o orçamento, seja no pagamento de 20 mil cirurgias e 200 mil consultas, seja na construção de sete novas UPAs. Cinco delas serão entregues ainda este ano, porque as nossas UPAs estão sobrecarregadas. Então, eu consigo atender 700 mil pessoas a mais”, declarou.

Quando era deputada distrital, em 2014, Celina foi contrária à contratação temporária de profissionais de saúde, mas recorreu à medida durante seu governo. Ela disse que continua criticando esse tipo de contratação.

“O concurso temporário é mais rápido. Nós estamos num momento eleitoral e há várias vedações. Mas o nosso planejamento são concursos de servidores efetivos para todas as áreas. Agora, há algumas áreas em que eu não consigo nem fazer concurso. Por exemplo, abri concursos para anestesistas, mas apenas um anestesista se apresentou”, disse.

A candidata também foi questionada sobre a falta de entrega de hospitais prometidos em 2022, quando ela era vice-governadora e Ibaneis Rocha ocupava o cargo de governador. Celina respondeu que não pode ser responsabilizada pela gestão do ex-governador.

“Eu era vice do Ibaneis, não era governadora do Ibaneis. Por mais que você tenha autonomia para representá-lo, não tem autonomia para tomar decisões sobre aquilo que é prioridade”, afirmou.

José Roberto Arruda (PSD)

Arruda foi questionado sobre as medidas que adotaria para atrair médicos, diante da escassez de profissionais na rede pública do Distrito Federal.

O candidato respondeu que é necessário aumentar os salários dos profissionais de saúde. Também afirmou que o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) “está sendo gerido de forma caótica”, embora seja “necessário”. Segundo Arruda, pacientes de Brasília estão procurando atendimento em Goiás, o que classificou como uma “vergonha”.

“Precisa mudar a gestão do Iges, colocar transparência e digitalizar a saúde de Brasília. [...] Tem que botar ordem na saúde. Eu vou contratar todos os servidores já concursados. Vou abrir um contrato de emergência para médicos, melhorando o salário dos médicos, dos enfermeiros e dos auxiliares de enfermagem, para que a gente tenha uma saúde pública de qualidade. Não se faz saúde sem médico; não se faz educação sem professor, simples assim”, declarou.

Arruda também foi perguntado sobre como fecharia as contas do governo diante das novas contratações e da construção de hospitais prometida em seu plano de governo.

Ele respondeu que o atual governo de Brasília “consome grande parte da verba para o seu próprio sustento”. Caso seja eleito, afirmou que vai reduzir gastos com aluguéis caros, diminuir o número de cargos comissionados e de secretarias e revisar todos os contratos de prestadores de serviço.

Leandro Grass (PT)

Leandro Grass afirmou que o Iges consome mais de R$ 1 bilhão por ano e que a saúde pública “não está entregando o que precisaria entregar”.

“Lá no início, quando o Ibaneis criou o Iges, eu fui contrário, porque a gente já sabia que o sistema ia competir com a Secretaria de Saúde e não iria entregar o que a população esperava, principalmente na atenção primária, nessa saúde perto de casa, que é o que eu proponho como principal ferramenta de promoção da saúde”, disse.

Se eleito, Grass afirmou que vai ampliar e equipar as unidades básicas de saúde (UBSs) e contratar mais equipes. Também declarou que o Iges “será modificado”.

“Nós vamos aproveitar os profissionais, especialmente os profissionais de ponta, enfermeiros e médicos. Vamos demitir os cabos eleitorais da Celina Leão e garantir a saúde perto de casa, além de diminuir o tempo de espera, que hoje é o maior do Brasil. Aqui no DF, temos, em média, 254 dias de espera para fazer uma consulta ou cirurgia”, afirmou.

Paula Belmonte (PSDB)

Paula Belmonte foi questionada sobre como pretende fortalecer a atenção básica, integrar prontuários eletrônicos e reorganizar os fluxos de atendimento. Ela respondeu que a situação da saúde na capital “é vergonhosa”.

“As UBSs têm que estar próximas de casa. No nosso governo, temos a meta de construir mais 40 UBSs dentro das cidades e das regiões administrativas, para fazer saúde preventiva, saúde na veia e saúde dentro de casa. Hoje, não existe nenhuma UBS com uma equipe completa atuando. Infelizmente, não temos 111 médicos para a retaguarda. Então, vamos fortalecer essas UBSs”, disse.

“Nós vamos digitalizar o governo para dar às pessoas a possibilidade de saber onde está a consulta e onde está a marcação da cirurgia, organizar a fila de cirurgias e fazer com que os agentes comunitários estejam dentro das casas das pessoas para acompanhar, inclusive, violações de direitos”, completou.

Educação

Celina Leão (PP)

Questionada sobre o desempenho do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Celina afirmou que o resultado foi impactado pelas diferentes métricas adotadas na educação.

“Aqui no Distrito Federal, com duas matérias, você reprova, e a opção de vários estados é não ter reprovação. Quando você não tem reprovação, isso impacta diretamente o índice do Ideb”, afirmou. A reprovação é um dos critérios usados na avaliação do indicador.

Celina disse ainda ter certeza de que a estrutura e os profissionais da educação do DF são melhores que os do Piauí e de estados bem colocados no Ideb.

A candidata à reeleição afirmou que a Secretaria de Educação estava sob o comando do MDB e citou a ex-secretária Hélvia Paranaguá. Também mencionou a exoneração da última chefe da pasta, Iêdes Braga, que havia dado “nota 8” para a educação do DF em entrevista à TV Globo.

“Se eu for dar uma nota para o meu profissional, vou dar 10, porque o meu profissional da educação é comprometido, é um profissional que precisa trabalhar e trabalha bem feito. Tanto que nós substituímos 2.681 temporários por professores efetivos. Agora, no Ideb, nós saímos mal; temos que reconhecer e apresentar propostas para melhorar. É isso que já estamos fazendo com o novo secretário, Thiago Peixoto”, afirmou.

José Roberto Arruda (PSD)

Arruda disse que pretende tornar os salários dos professores mais atrativos. Segundo ele, atualmente o Distrito Federal tem mais professores temporários do que efetivos.

“Eu lancei a ideia de, no primeiro dia de governo, contratar os professores concursados”, declarou.

O candidato afirmou que, durante seu governo, havia 200 escolas de educação integral e que agora restam apenas 30. “Eu vou retomar o projeto de educação integral”, disse.

“O último plano de carreira dos professores quem fez fui eu. Vou ter que revisar esse plano de carreira. Nós tínhamos o melhor salário de professores do Distrito Federal. Hoje, temos um salário menor que o do Maranhão, o do Piauí e o de Goiás”, afirmou.

Leandro Grass (PT)

Leandro Grass afirmou ser contrário ao modelo de escolas militarizadas. Segundo ele, a aprovação da população a esse modelo pode ser explicada pelo aumento da violência, do crime organizado e do tráfico de drogas. Como alternativa, propôs o ensino em tempo integral.

Ele disse que o modelo educacional deve oferecer arte, ciência, tecnologia e profissionalização.

“No Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), há recursos para a escola integral. O Brasil inteiro ampliou a escola integral. No DF, diminuiu”, afirmou.

Paula Belmonte (PSDB)

Sobre a nota do DF no Ideb e suas propostas para a educação pública, Paula Belmonte afirmou que 30% do orçamento do Distrito Federal “escoa” por falta de políticas públicas e por corrupção.

“Nós temos que ensinar os nossos jovens e as nossas crianças a chegarem ao mercado de trabalho já qualificados, com matemática financeira, empreendedorismo e tecnologia”, declarou.

A candidata disse ter ficado “envergonhada” com o desempenho do DF no Ideb e assumiu o compromisso de, se eleita, levar a rede pública do Distrito Federal ao primeiro lugar do indicador até 2030.

Belmonte afirmou que o DF gasta R$ 600 milhões com transporte escolar porque as escolas não ficam perto dos alunos. Para ela, é necessário colocar as escolas próximas das pessoas e fazer uma gestão de qualidade.

Paula afirmou ainda que a maior evasão escolar é de meninas. “É triste para mim, como menina, falar isso”, disse.

Questionada se é favorável às escolas cívico-militares, Paula respondeu que defende a “gestão democrática”. Ela afirmou que a comunidade escolar deve participar da escolha dos diretores e da decisão sobre a adoção do modelo militarizado.

← Voltar às notícias