Campanha no DF tem mudança de sede do governo e reações de candidatos
Sexta-feira de campanha no DF teve início da transferência do governo para o CAD, reações ao indeferimento de Arruda e propostas dos candidatos para saúde, transporte, segurança e gestão pública.
A sexta-feira (4) de campanha foi marcada pelo início da transferência da sede do Governo do Distrito Federal para o Centro Administrativo (CAD) e pelas reações dos candidatos à mudança.
As agendas incluíram ainda sessões de perguntas e respostas, reuniões com funcionários públicos e críticas ao modelo de gestão da saúde. O indeferimento da candidatura de José Roberto Arruda (PSD) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) também esteve entre os temas abordados.
José Roberto Arruda (PSD)
Durante a manhã, José Roberto Arruda falou com a imprensa sobre o indeferimento da sua candidatura pelo TRE-DF. O antigo governador afirmou que a decisão afeta a campanha, mas garantiu que continuará a cumprir a agenda prevista.
“Eu vou até ao fim agora. Obviamente, a última palavra é sempre da Justiça e, seja ela qual for, nós respeitamo-la, pois isso faz parte do Estado democrático de Direito. Não adianta eu dizer que quero um país democrático se eu próprio vou agredir as instituições e dizer que não as vou seguir”, declarou.
Arruda esteve também no Riacho Fundo, onde participou numa carreata e voltou a afirmar que vai manter a campanha. Ainda na tarde de terça-feira, a defesa do antigo governador tinha apresentado um recurso junto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Celina Leão (PP)
Celina Leão participou numa cerimónia no Centro Administrativo (CAD), antigo Centrad. O edifício, que estava desocupado há mais de uma década, começou a ser utilizado pela Secretaria de Obras nesta sexta-feira.
A governadora e candidata à reeleição afirmou que a próxima entidade a instalar-se no local será a Secretaria da Mulher, numa mudança prevista para outubro. A Casa Civil, a Casa Militar e a Secretaria de Governo também estão entre os organismos previstos para ocupar o complexo.
Celina prometeu ainda abrir à iniciativa privada os espaços comerciais da galeria que liga o complexo administrativo à estação de metro. A candidata afirmou que, se for reeleita, vai investir no metro, através da compra de novos comboios e da modernização do sistema.
“Fiz questão hoje de chamar todos os secretários para que pudessem ver que este espaço será de todo o Governo do DF. Já determinámos as obras necessárias para ocupar 100% de todo o complexo. Tenho a certeza de que, depois desta ocupação permanente, ninguém voltará atrás nesta decisão e o espaço será ocupado definitivamente, independentemente do resultado das eleições”, declarou.
Leandro Grass (PT)
O candidato do PT, Leandro Grass, participou numa sessão de perguntas e respostas promovida pelo Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta (Sindireta).
Durante a conversa, prometeu aumentar o número de exames, cirurgias e consultas na área da saúde. Grass defendeu também o investimento no transporte ferroviário, com comboios, metro e Veículo Leve sobre Carris (VLT).
A reestruturação das carreiras esteve igualmente em destaque. Se for eleito, o candidato afirmou que vai criar uma mesa permanente de negociação com as carreiras do Governo do Distrito Federal, reduzir as desigualdades entre cargos e realizar concursos unificados, seguindo o modelo adotado pelo Governo Federal.
“As carreiras que exigem o mesmo nível de formação e têm o mesmo grau de complexidade podem ser abrangidas por um único concurso. Assim, poupamos tempo e recursos, realizamos um único concurso e distribuímos estes profissionais pelas várias áreas do Governo. Precisamos de analisar este défice, nomear os aprovados daquele concurso, que ainda está válido, e iniciar já novos concursos”, afirmou.
Rico Pinheiro (PRTB)
Rico Pinheiro, candidato do PRTB, esteve na Rodoviária do Plano Piloto, onde conversou com passageiros e comerciantes.
O candidato afirmou que, se for eleito, vai realizar concursos anuais na área da segurança pública para recompor o efetivo da Polícia Militar.
Prometeu também retirar a gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e dos hospitais do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges). Segundo Rico, a administração da saúde deve concentrar-se na redução das listas de espera para cirurgias e na ampliação dos serviços de psiquiatria, com mais Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Rico apresentou ainda propostas para garantir a igualdade de género no serviço público.
“Sabemos que, quando uma mulher e um homem ocupam o mesmo cargo, a mulher recebe entre 20% e 30% menos do que o homem. Tenho uma proposta para o DF: em todos os concursos, cargos de comissão e tudo o que diga respeito ao Governo do DF, 50% devem ser destinados a mulheres e 50% a homens. Isso é fazer justiça e olhar para as mulheres”, afirmou.
Elisson Ferreira (Agir)
O candidato do Agir, Elisson Ferreira, participou numa reunião com dirigentes do Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do Governo do Distrito Federal. Durante o encontro, recebeu um ofício com reivindicações da categoria, incluindo a contratação de funcionários para apoiar crianças órfãs de feminicídio.
Elisson prometeu que, se for eleito, realizará um concurso público para eliminar o défice de funcionários na área da assistência social e criará uma mesa permanente de diálogo com a categoria.
O candidato propôs ainda reduzir o número de secretarias de 34 para 22. Defendeu também a criação de uma secretaria para coordenar um plano de Governo para o centenário de Brasília, que abrangerá as áreas da segurança, saúde e educação.
“O nosso plano de Governo é o único que prevê uma secretaria para pensar Brasília em 2060, ano do centenário da cidade. Brasília foi concebida para ser uma cidade planeada e inovadora. Não podemos continuar a olhar para o retrovisor. Precisamos de concretizar as nossas propostas para que a população do DF as veja realizadas. Ao criar uma secretaria dedicada ao centenário de Brasília, estamos a pensar no planeamento a longo prazo”, afirmou.
Expedito Mendonça (PCO)
O candidato do PCO ao Governo do Distrito Federal, Expedito Mendonça, esteve no Setor Comercial Sul, onde apresentou propostas para a educação, os transportes e a segurança pública.
Defendeu a contratação definitiva de todos os professores que trabalham atualmente a título temporário e a reposição dos salários dos profissionais da educação. Na área dos transportes públicos, Mendonça defendeu a estatização total dos serviços.
O candidato propôs também acabar com o modelo do Iges na saúde. Na segurança pública, defendeu a substituição da Polícia Militar por um sistema de polícia comunitária.
“Somos a favor da dissolução da Polícia Militar e da sua substituição por um sistema de polícia comunitária, no qual os próprios moradores e trabalhadores possam formar conselhos populares para garantir a segurança da comunidade. Dessa forma, seria possível destituir os responsáveis caso cometessem algum abuso”, declarou.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.